Página para consulta e interação com os alunos das seguintes séries da E.E. Prof. Alberto Conte em 2011: Primeiros anos A, B,C, D, E, F e G
segunda-feira, 16 de maio de 2011
segunda-feira, 9 de maio de 2011
Segundo Bimestre - Primeiro texto
SEGUNDO BIMESTRE – PRIMEIRO TEXTO - Prof. Vitor 2011
Antiguidade ClássicaEste termo: Antiguidade Clássica foi usado pela primeira vez pelos historiadores europeus da época do Renascimento (entre os anos 1400 e 1600) e é repetido até os dias de hoje pela cultura ocidental. Refere-se às sociedades grega e romana que irão servir de modelo para as sociedades da Europa naquela época e, de uma certa forma, também para as sociedades atuais.
Diferentemente das sociedades da antiguidade oriental (egípcios, mesopotâmicos, hebreus, persas e fenícios) estas sociedades da antiguidade ocidental desenvolverão formas de organização social, política e cultural que serão muito apreciadas pelas sociedades ocidentais que vieram depois:
Primeiramente, “grego” é uma palavra latina que designava os habitantes da Hélade, nome de uma grande península localizada no sul da Europa. Os gregos se autodenominavam helenos.
Vamos destacar alguns aspectos sociais, políticos e culturais criados pela sociedade greco-latina e que ultrapassaram em muito o seu tempo tendo durado até muito recentemente e em alguns casos permanecido até os dias de hoje.
Socialmente: os gregos e romanos utilizaram em larga escala o trabalho escravo;
Politicamente: as civilizações clássicas preocupavam-se em dominar vastas regiões ao redor do mar Mediterrâneo buscando a hegemonia econômica e comercial dos outros povos que ali viviam. Entre gregos e romanos havia diferenças, enquanto os gregos não conseguiram construir uma unidade política que unificasse todo o seu domínio, os romanos, por sua vez, conseguiram unir os povos dominados construindo uma unidade política consolidada. Os gregos organizam-se em “polis” (as cidades-estado) e governavam obedecendo um novo modelo: a democracia. Os romanos ao estabelecer o seu poder (“imperium”) sobre os povos da região mediterrânica, criaram o imperialismo, ou colonização.
Culturalmente: Na antiguidade chamada clássica, as sociedades conseguiram desenvolver uma nova forma de pensar (a filosofia), de fazer política (a democracia), a arte (a dramaturgia) e suas línguas faladas e escrita influenciaram muitas das línguas atuais.
BIBLIOGRAFIA:MARQUES Adhemar. História, Ensino Médio, volume único, Curitiba, Editora Positivo, 2006, p. 22
COTRIM, Gilberto. História Global, Brasil e Geral, volume 1, S. Paulo, Editora Saraiva, 2010, p. 99
INÍCIO DE CONVERSA NO SEGUNDO BIMESTRE
Bem agora começamos nosso segundo bimestre. Começaremos a falar sobre a chamada antiguidade clássica. Para começar vamos ver o que sabemos sobre o assunto:
a) - Qual o significado da palavra "clássico"?
Para responder as questões b e c use os conhecimentos que tem (lembrem-se de filmes como "Alexandre", "Tróia", "Trezentos" e "O gladiador"):
b) - O que você já ouviu sobre a Grécia Antiga?
c) - E sobre o Império Romano?
Nas questões d, e e f pesquise em dicionários, se for necessário:
d) - Se você descobriu que "clássico" significa aquilo que serve de modelo, de padrão para outros, a Antiguidade Clássica serviria de modelo para quem? Porquê?
e) - O que você sabe sobre "democracia"?
f) - Pesquise o significado político e militar de "imperialismo".
Responda a estas questões em seu caderno para dixutir suas respostas na sala de aula.
a) - Qual o significado da palavra "clássico"?
Para responder as questões b e c use os conhecimentos que tem (lembrem-se de filmes como "Alexandre", "Tróia", "Trezentos" e "O gladiador"):
b) - O que você já ouviu sobre a Grécia Antiga?
c) - E sobre o Império Romano?
Nas questões d, e e f pesquise em dicionários, se for necessário:
d) - Se você descobriu que "clássico" significa aquilo que serve de modelo, de padrão para outros, a Antiguidade Clássica serviria de modelo para quem? Porquê?
e) - O que você sabe sobre "democracia"?
f) - Pesquise o significado político e militar de "imperialismo".
Responda a estas questões em seu caderno para dixutir suas respostas na sala de aula.
Notas do 1º bimestre - 2011
Estão sendo publicadas as notas do 1º bimestre. Estas são definitivs. Já passaram pelo Conselho de Classe dia 5 de maio.
Clique na sua classe ao lado para ver as médias.
Estas notas permaneceraõ no blog até o final do ano.
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quarta-feira, 20 de abril de 2011
Banco de questões
Banco de questões sobre os seis primeiros textos – As questões estão mais ou menos na sequências em que apareceram nos textos e nas explicações de sala de aula. Boa sorte para quem quiser estudar.
1.De que maneira a história pode ajudar uma sociedade a conhecer sua identidade?
2.De que forma os historiadores podem estudar e conhecer como viviam os seres humanos durante a pré-história?
3.História e memória coletiva. Que relações existem entre elas?
4.De que maneira a história pode ajudar uma sociedade a encontrar sua identidade?
5.Aponte as diferenças entre pré-história e história?
6.Quais são as fontes pesquisadas pelos historiadores para escrever sobre a pré-história?
7.Procure explicar como os historiadores podem descobrir como viviam os seres humanos na época da Pré-história.
8.Aponte as diferenças entre Pré-História e História.
9.De que maneira a interdisciplinaridade ajuda a estudar a pré-história?
10.Quais as áreas do conhecimento que podem ajudar os historiadores a estudar a pré-história? Cite duas e diga de que forma elas ajudam nos estudos pré-históricos.
11.Diga como o mundo mudou após a Revolução Neolítica?
12.Que crítica pode ser feita à ideia de que o que marca a passagem da pré-história para a história é unicamente o desenvolvimento da escrita? Que outros elementos podem também marcar esta passagem?
13.Quais as alterações para a vida dos seres humanos depois da Revolução Neolítica?
14.Procure mostrar como foi a passagem das sociedades nômades em sedentárias.
15.Nomadismo e sedentarismo são duas características que marcam respectivamente dois momentos da chamada pré-história. Explique essas características dizendo também a que momentos da pré-história elas se referem.
16.Como se pode explicar o povoamento do “homo sapiens” pelo globo?
17.Que razões podem ser apontadas para o fato de as grandes migrações da pré-história ter acontecido durante o Paleolítico?
18.Em que época ocorreu a Revolução Urbana e quais as suas consequências?
19.O que é o Crescente Fértil, onde se localizava e qual sua importância para a história da humanidade?
20.Explique o que foi a divisão do trabalho nas primeiras cidades.
21.O que eram as obras hidráulicas e onde eram realizadas?
22.Servidão coletiva e escravidão são duas formas de trabalho obrigatório ou compulsório da humanidade. Na Antiguidade foram predominantes em algumas sociedades. Diga as sociedades em que houve o predomínio de uma e de outra forma de trabalho.
23.O que era a divisão sexual do trabalho e quais as consequências dessa divisão até os momentos atuais?
24.Como surgiu a divisão social da sociedade em ricos e pobres? (txt 5)
25.Como se pode explicar o fato de o Egito Antigo ser mais lembrado atualmente que a Mesopotâmia? (txt 6)
26.Museus cheios de objetos, utensílios e diversos vestígios arqueológicos, monumentos históricos, estátuas, quadros, livros, filmes, reportagens em jornais, revistas, programas de televisão e mais algumas outras coisas servem para manter viva a memória coletiva de uma sociedade. Egito e Mesopotâmia são duas civilizações da Antiguidade, que existiram mais ou menos na mesma época numa região chamada Crescente Fértil. No entanto, a memória da Mesopotâmia aparece muito menor que a do Egito. Escreva algumas lhas apontando algumas razões para este esquecimento coletivo.
27.Qual o significado da frase de Heródoto: “O Egito é uma dádiva do Nilo”?
28.Como esta frase de Heródoto pode ser criticada?
29.Qual o significado preconceituoso da expressão “não civilizado”?
30.O que é no sentido histórico o significado de “civilizado”?
1.De que maneira a história pode ajudar uma sociedade a conhecer sua identidade?
2.De que forma os historiadores podem estudar e conhecer como viviam os seres humanos durante a pré-história?
3.História e memória coletiva. Que relações existem entre elas?
4.De que maneira a história pode ajudar uma sociedade a encontrar sua identidade?
5.Aponte as diferenças entre pré-história e história?
6.Quais são as fontes pesquisadas pelos historiadores para escrever sobre a pré-história?
7.Procure explicar como os historiadores podem descobrir como viviam os seres humanos na época da Pré-história.
8.Aponte as diferenças entre Pré-História e História.
9.De que maneira a interdisciplinaridade ajuda a estudar a pré-história?
10.Quais as áreas do conhecimento que podem ajudar os historiadores a estudar a pré-história? Cite duas e diga de que forma elas ajudam nos estudos pré-históricos.
11.Diga como o mundo mudou após a Revolução Neolítica?
12.Que crítica pode ser feita à ideia de que o que marca a passagem da pré-história para a história é unicamente o desenvolvimento da escrita? Que outros elementos podem também marcar esta passagem?
13.Quais as alterações para a vida dos seres humanos depois da Revolução Neolítica?
14.Procure mostrar como foi a passagem das sociedades nômades em sedentárias.
15.Nomadismo e sedentarismo são duas características que marcam respectivamente dois momentos da chamada pré-história. Explique essas características dizendo também a que momentos da pré-história elas se referem.
16.Como se pode explicar o povoamento do “homo sapiens” pelo globo?
17.Que razões podem ser apontadas para o fato de as grandes migrações da pré-história ter acontecido durante o Paleolítico?
18.Em que época ocorreu a Revolução Urbana e quais as suas consequências?
19.O que é o Crescente Fértil, onde se localizava e qual sua importância para a história da humanidade?
20.Explique o que foi a divisão do trabalho nas primeiras cidades.
21.O que eram as obras hidráulicas e onde eram realizadas?
22.Servidão coletiva e escravidão são duas formas de trabalho obrigatório ou compulsório da humanidade. Na Antiguidade foram predominantes em algumas sociedades. Diga as sociedades em que houve o predomínio de uma e de outra forma de trabalho.
23.O que era a divisão sexual do trabalho e quais as consequências dessa divisão até os momentos atuais?
24.Como surgiu a divisão social da sociedade em ricos e pobres? (txt 5)
25.Como se pode explicar o fato de o Egito Antigo ser mais lembrado atualmente que a Mesopotâmia? (txt 6)
26.Museus cheios de objetos, utensílios e diversos vestígios arqueológicos, monumentos históricos, estátuas, quadros, livros, filmes, reportagens em jornais, revistas, programas de televisão e mais algumas outras coisas servem para manter viva a memória coletiva de uma sociedade. Egito e Mesopotâmia são duas civilizações da Antiguidade, que existiram mais ou menos na mesma época numa região chamada Crescente Fértil. No entanto, a memória da Mesopotâmia aparece muito menor que a do Egito. Escreva algumas lhas apontando algumas razões para este esquecimento coletivo.
27.Qual o significado da frase de Heródoto: “O Egito é uma dádiva do Nilo”?
28.Como esta frase de Heródoto pode ser criticada?
29.Qual o significado preconceituoso da expressão “não civilizado”?
30.O que é no sentido histórico o significado de “civilizado”?
segunda-feira, 4 de abril de 2011
Sexto texto
Egito e Mesopotâmia: A maioria dos livros didáticos apresenta os estudos sobre o Egito e Mesopotâmia conjuntamente demonstrando preocupação de aproximar características semelhantes da experiência dos povos de ambas as civilizações. Preste atenção à palavra “civilização”! O uso dessa palavra pode ser preconceituoso. Algumas pessoas da elite podem querer impor seu modelo de comportamento e dizer que quem não se comporta como elas seriam “não civilizadas”. “Não civilizados” com significado preconceituoso são aqueles que não têm o comportamento e as roupas da elite que se considera civilizada. Civilização não significa estágio cultural/social, mas sim uma das alternativas que as sociedades humanas tiveram ao longo da história: viver sedentariamente em cidades, com Estados organizados, com exércitos armados, religiões organizadas, divisão do trabalho em especialidades, sociedade dividida socialmente em ricos com poder e pobres. Isto é uma civilização. “Não civilizados” são os grupos humanos que não seguiram esta alternativa histórica.
Às sociedades egípcias e mesopotâmicas atribuem-se a criação do Estado e a vivência de experiências semelhantes em suas formas de organização social, entre as quais política, religião e economia podiam ser entendidas como coisas inseparáveis. Embora houvesse um grande número de variações devido as regiões terem sido povoadas por diferentes etnias, e o modelo de organização social e econômica são parecidos com práticas agrícolas, hidráulicas , governamentais, de gestão do trabalho, desenvolvimento de sistemas de escrita (embora diferentes) que caracterizam os povos do Oriente próximo, sobretudo egípcios e mesopotâmicos.
No que se refere ao Egito, em seus primeiros tempos a imagem inicial que se tem é a de um “país” agrícola. Os livros didáticos reproduzem exaustivamente um refrão, que de tão repetido ao longo do tempo tornou-se clássico, o de que o Egito seria uma “dádiva do Nilo”. Com essa frase, Heródoto referia-se ao regime de cheias do rio que deixavam, após sua passagem, os solos irrigados e fertilizados para a agricultura, acrescentando que “Em todo mundo, ninguém obtém os frutos da terra com tão pouco trabalho. Não se cansam a sulcar a terra com o arado ou a enxada, nem têm nenhum dos trabalhos que todos os outros homens têm para garantir as colheitas. O rio sobe, irriga os campos e, depois de tê-los irrigado, torna a baixar. Então, cada um semeia o seu campo e nele introduz os porcos para que as sementes penetrem na terra: depois só tem de aguardar o período da colheita. Os porcos também lhes sevem para debulhar o trigo que é depois transportado para o celeiro.”
Para alguns historiadores contemporâneos, essa visão mostrada por Heródoto se explicada pelo fato de o autor ser originário de regiões nas quais era necessário trabalhar muito para conseguir uma magra colheita, de um solo hostil, rochoso. A frase de Heródoto e o trecho acima citados não mencionam e desprezam o fato de que as cheias e a descida das águas implicavam construção de diques, canais de irrigação e drenagem, sempre preocupados com o volume das cheias (estas obras são chamadas de hidráulicas). Tanto para esses trabalhos – que nem sempre aparecem nas abordagens didáticas sobre o Egito, muitas vezes preocupadas em mostrar a beleza de suas pirâmides e obras faraônicas, sem explicar e dizer como foi possível sua construção.
Outro importante aspecto da sociedade do antigo Egito que merece destaque nos livros didáticos é o sistema de escrita desenvolvido por eles, os hieróglifos. Desde os primeiros estudos a seu respeito no século XIX (19), os conhecimentos acerca do Egito mudaram muito. Pela decifração de sua escrita, todo um sistema de linguagem, estrutura e organização social abriu-se a novas formas de compreensão.
Rio Nilo, pirâmides, esfinges e grandes construções e escrita hieróglifos podem ser entendidos como referências básicas do conhecimento, da memória coletiva, que adquirimos dos mais diferentes meios, livros didáticos, filmes, jornais e até, por incrível que pareça de aulas de história, e é a partir deles que vamos estudar a civilização do Crescente Fértil.
A Mesopotâmia, a outra ponta da nossa Lua na fase quarto crescente no mapa do Crescente Fértil, os atuais Iraque e Kuwait, por sua vez, geralmente é responsabilizada pelo surgimento das primeiras cidades e do primeiro sistema de escrita. Geralmente, nos livros didáticos encontramos apenas referências apenas ao significado literal de seu nome, “entre rios” (Tigre e Eufrates), ou seja essa civilização não conseguiu ter na memória coletiva um lugar que corresponda à sua importância, ao contrário do Egito, à Grécia e Roma da Antiguidade Clássica, por exemplo. Para explicar este aspecto, é preciso pensar que no século XIX os historiadores tentavam mostrar o passado da Europa nas civilizações egípcia, e principalmente, grega e romana. Tão desenvolvida na época quanto os egípcios, desenvolveram-se também no controle do curso das águas por meio de canais e diques e seus benefícios para a agricultura. Nessa região, entre os rios Tigre e Eufrates, desenvolveram-se dezenas de cidades, acompanhadas de inúmeras trocas comerciais, possíveis graças ao desenvolvimento da agricultura além de outras necessidades de sobrevivência, como móveis, artesanatos diversos, roupas, e outros itens.
A disputa no século XIX (19) entre França e Inglaterra pela posse imperialista da região do Crescente Fértil, levou a diversas escavações arqueológicas que descobriu cidades como a Babilônia e seus Jardins Suspensos, plaquetas de argila com inscrições cuneiformes e outros artefatos trouxeram a público a forma de Estados centralizados e controlador de grandes extensões de terras, e da importância dos diversos povos mesopotâmicos para a História, principalmente no que se refere ao Direito (Código de Hamurábi), à astronomia e astrologia.
Fonte ou Bibliografia:
Egito: Wikipedia - http://pt.wikipedia.org/wiki/Antigo_Egito
Mesopotâmia: Wikipedia - http://pt.wikipedia.org/wiki/Mesopotâmia
Sobre as duas: SILVA, Glaydson José da. Cadernos do Professor. História: Ensino Médio, 1ª Série, São Paulo, SEE, 2008, p. 32-39.
Às sociedades egípcias e mesopotâmicas atribuem-se a criação do Estado e a vivência de experiências semelhantes em suas formas de organização social, entre as quais política, religião e economia podiam ser entendidas como coisas inseparáveis. Embora houvesse um grande número de variações devido as regiões terem sido povoadas por diferentes etnias, e o modelo de organização social e econômica são parecidos com práticas agrícolas, hidráulicas , governamentais, de gestão do trabalho, desenvolvimento de sistemas de escrita (embora diferentes) que caracterizam os povos do Oriente próximo, sobretudo egípcios e mesopotâmicos.
No que se refere ao Egito, em seus primeiros tempos a imagem inicial que se tem é a de um “país” agrícola. Os livros didáticos reproduzem exaustivamente um refrão, que de tão repetido ao longo do tempo tornou-se clássico, o de que o Egito seria uma “dádiva do Nilo”. Com essa frase, Heródoto referia-se ao regime de cheias do rio que deixavam, após sua passagem, os solos irrigados e fertilizados para a agricultura, acrescentando que “Em todo mundo, ninguém obtém os frutos da terra com tão pouco trabalho. Não se cansam a sulcar a terra com o arado ou a enxada, nem têm nenhum dos trabalhos que todos os outros homens têm para garantir as colheitas. O rio sobe, irriga os campos e, depois de tê-los irrigado, torna a baixar. Então, cada um semeia o seu campo e nele introduz os porcos para que as sementes penetrem na terra: depois só tem de aguardar o período da colheita. Os porcos também lhes sevem para debulhar o trigo que é depois transportado para o celeiro.”
Para alguns historiadores contemporâneos, essa visão mostrada por Heródoto se explicada pelo fato de o autor ser originário de regiões nas quais era necessário trabalhar muito para conseguir uma magra colheita, de um solo hostil, rochoso. A frase de Heródoto e o trecho acima citados não mencionam e desprezam o fato de que as cheias e a descida das águas implicavam construção de diques, canais de irrigação e drenagem, sempre preocupados com o volume das cheias (estas obras são chamadas de hidráulicas). Tanto para esses trabalhos – que nem sempre aparecem nas abordagens didáticas sobre o Egito, muitas vezes preocupadas em mostrar a beleza de suas pirâmides e obras faraônicas, sem explicar e dizer como foi possível sua construção.
Outro importante aspecto da sociedade do antigo Egito que merece destaque nos livros didáticos é o sistema de escrita desenvolvido por eles, os hieróglifos. Desde os primeiros estudos a seu respeito no século XIX (19), os conhecimentos acerca do Egito mudaram muito. Pela decifração de sua escrita, todo um sistema de linguagem, estrutura e organização social abriu-se a novas formas de compreensão.
Rio Nilo, pirâmides, esfinges e grandes construções e escrita hieróglifos podem ser entendidos como referências básicas do conhecimento, da memória coletiva, que adquirimos dos mais diferentes meios, livros didáticos, filmes, jornais e até, por incrível que pareça de aulas de história, e é a partir deles que vamos estudar a civilização do Crescente Fértil.
A Mesopotâmia, a outra ponta da nossa Lua na fase quarto crescente no mapa do Crescente Fértil, os atuais Iraque e Kuwait, por sua vez, geralmente é responsabilizada pelo surgimento das primeiras cidades e do primeiro sistema de escrita. Geralmente, nos livros didáticos encontramos apenas referências apenas ao significado literal de seu nome, “entre rios” (Tigre e Eufrates), ou seja essa civilização não conseguiu ter na memória coletiva um lugar que corresponda à sua importância, ao contrário do Egito, à Grécia e Roma da Antiguidade Clássica, por exemplo. Para explicar este aspecto, é preciso pensar que no século XIX os historiadores tentavam mostrar o passado da Europa nas civilizações egípcia, e principalmente, grega e romana. Tão desenvolvida na época quanto os egípcios, desenvolveram-se também no controle do curso das águas por meio de canais e diques e seus benefícios para a agricultura. Nessa região, entre os rios Tigre e Eufrates, desenvolveram-se dezenas de cidades, acompanhadas de inúmeras trocas comerciais, possíveis graças ao desenvolvimento da agricultura além de outras necessidades de sobrevivência, como móveis, artesanatos diversos, roupas, e outros itens.
A disputa no século XIX (19) entre França e Inglaterra pela posse imperialista da região do Crescente Fértil, levou a diversas escavações arqueológicas que descobriu cidades como a Babilônia e seus Jardins Suspensos, plaquetas de argila com inscrições cuneiformes e outros artefatos trouxeram a público a forma de Estados centralizados e controlador de grandes extensões de terras, e da importância dos diversos povos mesopotâmicos para a História, principalmente no que se refere ao Direito (Código de Hamurábi), à astronomia e astrologia.
Fonte ou Bibliografia:
Egito: Wikipedia - http://pt.wikipedia.org/wiki/Antigo_Egito
Mesopotâmia: Wikipedia - http://pt.wikipedia.org/wiki/Mesopotâmia
Sobre as duas: SILVA, Glaydson José da. Cadernos do Professor. História: Ensino Médio, 1ª Série, São Paulo, SEE, 2008, p. 32-39.
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